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Sempre um Woody Allen

Postado por Bruno Pereira e Dani Sarpi em 05/dez/2017

woody allen - roda gigante

“O filme não deixa de invocar relações temerárias, o que praticamente inviabiliza os telespectadores de não correlacionarem as estripulias dos personagens aos distúrbios pelos quais Woody Allen é costumeiramente acusado”

Semana passada teve estreia do novo filme do Woody Allen, Wonder Wheel. Filme singelo, colorido, imprevisível, cheio de intrigas e bons personagens. Nem perto do melhor de Woody Allen, mas muito próximo de um bom passatempo para reflexões. Assim como nosso glorioso Tostão já destacou algumas vezes em suas colunas semanais, o diretor gosta de enfatizar a força do acaso em nosso destino, para ele é relativo o controle que temos sobre a nossa própria vida. E isso é destaque no roteiro.

Sem entrar no detalhe do script, pulemos diretamente para a recepção do filme pelos críticos. E nesse sentido, Woody Allen apanhou feio. Na minha opinião, menos pelo resultado final, mais pela talvez indelicada escolha do tema dentro de um contexto no qual a paciência para o não-politicamente correto anda para lá de escassa. Woody Allen foi acusado de molestar sua filha na década de 1990, além de ter se casado com a própria enteada. A grande dificuldade atualmente é separar o artista da sua arte. E tudo indica que os envolvidos em polêmicas desse quilate passarão por contratempos praticamente intransponíveis.

O filme não deixa de invocar relações temerárias, o que praticamente inviabiliza os telespectadores de não correlacionarem as estripulias dos personagens aos distúrbios pelos quais Woody Allen é costumeiramente acusado. Para ouvidos mais sensíveis, isso soa como provocação. E daí a incapacidade dos críticos em construir uma análise menos enviesada sobre o filme. New York Times pega pesado dizendo ser uma “das maiores infelicidades de Allen em termos de colaboração ao cinema”. A revista New Yorker diz que “como em outros trabalhos recentes de Allen, as conexões da história são frágeis e as caracterizações dos personagens são superficiais”. O mesmo tom (negativo) se repetiu em praticamente todos os veículos mais relevantes.

Ainda assim, por ser um entusiasta do diretor (ou melhor, dos seus projetos) não consigo deixar de me interessar por seus filmes. É boa pedida aos que buscam ouvir um pouquinho mais do que Woody Allen tem a nos dizer, afinal, estamos falando de um dos maiores de todos os tempos. Vejam o trailer abaixo!

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