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Acompanhe:

Por que não investigaram o COB antes ?

Postado por Roberto Salim em 10/out/2017

Nuzman

Onde estão os políticos, onde estão os dirigentes que derrubaram o velódromo do Pan? Que esculhambaram o Célio de Barros?

Agora ficou fácil: o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro é o grande culpado de tudo de errado que acontece no esporte nacional. E os presidentes das confederações estão torcendo para que o Nuzman caia fora. É tudo muito simples.

Ele sai com a culpa e na gafieira segue o baile calmamente…

Porque se tudo for provado, ele paga a conta.

E os demais?

Sim, minha gente: os demais?

Cadê todo mundo.

Não são poucos.

Ou alguém acha que se houve erros, eles foram cometidos apenas pelo presidente?

Onde estão todos os auxiliares, para o bem ou para o mal?

Estão falando tanto do Lamine Diack, o homem que levou o dinheiro para comprar os votos para o Rio de Janeiro olímpico.

Pois bem, então vamos lá, quem eram os amigos do Diack no esporte nacional? Era o Nuzman? Quem eram? E se havia amigos, isso os incrimina? Ou não? O senhor Lamine e seu filho caíram do céu? Não há organizadores olímpicos de outros países, outras nacionalidades?

Onde estão os políticos, onde estão os dirigentes que derrubaram o velódromo do Pan? Que esculhambaram o Célio de Barros? Onde estão os juristas que seguraram durante tanto tempo os desmandos de confederações, de agências de viagens, de turismo, de importação de material?

Cadê?

A turma do antidoping?

Os médicos que tanto bradaram contra as substâncias proibidas.

Onde anda a turma que ganhou dinheiro, mas não manteve as bombas em funcionamento nas piscinas olímpicas?

Cadê o responsável por aquela água verde que quase matou do coração dirigentes decentes, que passaram a madrugada trocando a água das piscinas para evitar um vexame olímpico maior?

Cadê as escolas que iriam surgir no lugar nas quadras de handebol?

E o campo de golpe feito na reserva ambiental?

Digam para mim onde estão os ministros dos esportes, os secretários estaduais de esporte, os secretários municipais.

O presidente do Tribunal de Contas da União, na época o ministro Augusto Nardes, me disse pessoalmente, pelo microfone da ESPN Brasil, que Carlos Arthur Nuzman não seria mais reeleito. Isso foi bem antes da Olimpíada, numa entrevista dada em Brasília, após um jogo de tênis. Pois ele foi sim reeleito, abriu a Olimpíada e reinou até semanas atrás.

O poder constituído demorou para agir?

A investigação que agora desaba sobre Nuzman não teria o mesmo peso se tivesse sido feita há anos. Pelo menos para um acerto de contas, traçado de diretrizes, de controle financeiro das entidades esportivas.

Seria diferente se tivesse sido feita pelo menos antes do Pan de 2007, quando foi erguido o Centro Nacional de Tiro Esportivo, por R$ 105 milhões, quando já havia um “stand” prontinho em Resende, na Academia Militar de Agulhas Negras – isso já foi uma vergonha, a que se seguiram inúmeras, como as reformas constantes do Maracanã e tantas outras.

E eu fico me perguntando: onde estão os atletas que reclamam nos bastidores, mas têm medo de soltar a voz em público?

Aliás, onde estão também os microfones para que os atletas falem, denunciem, mostrem para o povo que a verdade está sufocada há tempos?

Cadê as sementes das plantas do desfile de abertura da Olimpíada que já deveriam ter se transformado em pequenas árvores nesta primavera?

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