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O anel da primeira dama, a rave e o Maracanã

Postado por Roberto Salim em 05/dez/2017

maracanã rave

“O pior de tudo, minha gente, é que enquanto a pista do Célio de Barros está destruída, abandonada, o que se realiza nela são festas”

Eu já tinha escrito a coluna desta semana: era engraçada (pelo menos, eu achei) e falava do Campeonato Mundial de Levantamento de Peso. Mas mudei de planos quando, na manhã desta terça-feira, vi o caso do anel da ex-primeira dama do Rio de Janeiro. A TV mostrou o depoimento do empreiteiro dizendo que deu um anel de R$ 800 mil para a mulher de Sérgio Cabral, em troca da vitória na licitação para mais uma das milhares de reformas do Maracanã.

“Algo em torno de 200 mil euros”, disse candidamente o empreiteiro Fernando Cavendish. Charme dos charmes, o anel foi comprado no Sul da França…

Novidade?

Talvez não.

Mas o que irrita é saber — como eu sei — os estragos que as tais obras olímpicas e da Copa do Mundo fizeram com o esporte do Rio de Janeiro, principalmente com a turma batalhadora do atletismo.

“Teve secretário que mandou bater no professor Lancetta, em uma audiência pública”, me disse a professora Eneida, uma das que mais brigaram para impedir a destruição da pista do Estádio Célio de Barros, no completo esportivo do Maracanã.

“As autoridades levavam seguranças truculentos e não permitiam discussão”, acusa sempre que pode o atleta olímpico Nélson Santos.

Penso nessa gente e nos atletas que foram arrancados de seus treinos, para que reformas desnecessárias e mentirosas fossem realizadas. Penso no velho professor Peron, desalojado do seu lugar sagrado de treinamentos. Penso nos muitos atletas cariocas que tiveram suas carreiras interrompidas por falta de local adequado para treinar e sonhar. Penso que a Olimpíada foi uma mentira esportiva, que serviu para comprar anéis e sabe-se lá o que mais.

O pior de tudo, minha gente, é que enquanto a pista do Célio de Barros está destruída, abandonada, o que se realiza nela são festas.

“Raves, meu amigo… raves…” — tinha escrito no fim de semana o Nélson Santos, que chegou a ficar doente com essa situação toda de desprezo. “Tenho informações de que houve outra festa rave no Maracanã. O evento foi realizado de sexta para sábado. Vou te enviar agora o diálogo que está acontecendo no grupo. Para você ter uma ideia da safadeza”, me escreveu o Nelsinho, revoltado com tudo.

E lá vem o diálogo.

“Alguém confirma rave no Maracanã essa madrugada?”

“Dá uma raiva: vou te contar. Sim, foi de sexta horrível para sábado. E de sábado pra domingo, festa de formaturas.”

“Já me disseram que haverá várias festas de formatura.”

“Tive de tomar remédios de dormir para poder apagar. Minha casa toda treme.”

“Dois dias seguidos sem dormir não dá! E eu não posso dormir durante o dia.”

“Além de me importar com o descaso das autoridades por causa do barulho, tem mais um fator que é saber que estão ganhando muito dinheiro para usar esse espaço que é do povo.”

É isso.

O velho espaço do Maracanã, que já foi do esporte, é hoje das festas.

São os tempos dos anéis.

Não os olímpicos… é claro.

  • A coluna engraçada do levantamento de peso fica para quinta-feira.
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