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Imagem do craque

Postado por Claudio Arreguy em 18/jan/2018

neymar

“Calma aí, garoto! Você já venceu algumas batalhas, já mostrou o que sabe e aonde pode chegar. Mas não precisa bater o pezinho como o dono da bola, fazer birrinha como o menino contrariado que já não é”

Futebol, não se discute, o cara tem de sobra. Pra dar e – principalmente, em se tratando dele – vender. Joga pra burro. Tenho a convicção de que será naturalmente o melhor do mundo, porque Messi e Cristiano Ronaldo não são eternos e um dia sentirão o peso da idade. O que está longe de ocorrer com o nosso personagem. Mas…

Sempre vem o porém. Que por enquanto divide as opiniões sobre esse jogador. Neymar Júnior, ao mesmo tempo, encanta as plateias mais variadas e as irrita. É capaz de ser aplaudido de pé quanto executa seus dribles infernais, protagoniza arrancadas espetaculares e faz gol em cima de gol. Mas também de sair vaiado de campo mesmo depois de balançar as redes quatro vezes num jogo com a camisa do Paris Saint-Germain.

Ronaldinho Gaúcho, que oficializou esta semana o adeus aos campos, nos encantou no mesmo nível de Neymar, ainda que por pouco tempo. Mas não se despede despertando sentimento de antipatia, sai de cena nos fazendo lamentar que tenha se enfadado tão cedo das obrigações que acompanham a  vida do jogador. Atraído pelas atrações proporcionadas pela fama, nem assim deixou imagem de garoto mimado – por mais que tenha no irmão Assis seu porta-voz. O dentuço foi por dois anos consecutivos o que o, digamos, sucessor tenta há pelo menos três: ser eleito o melhor do mundo pela Fifa. E mais não foi porque abdicou do topo, dedicou os anos seguintes a períodos de degustação, como o que ajudou o Atlético-MG a conquistar a América.

Neymar já conquistou também a América, comandando o Santos, e a Europa, brilhando ao lado de Messi e Suárez no Barcelona. E tem feito misérias no PSG. Mas suas atitudes de prima donna lhe têm valido críticas por toda parte, suas malcriações têm enchido o saco de torcedores e da imprensa. Com três gols já no “bolso”, por que não permitir a Cavani a cobrança do pênalti que provavelmente daria ao uruguaio a condição de maior artilheiro da história do clube parisiense? Isso com o placar já em 7 a 0 e com a falta dentro da área tendo sido sofrida pelo parceiro de ataque.

Vira e mexe, a imprensa francesa publica reportagens dando conta da crise de relacionamento interno no PSG. Desencadeada desde que Neymar desembarcou na Cidade Luz com ares de um Napoleão regressando da batalha – ou de um De Gaulle desfilando imponente pela Champs-Élysées ao fim da guerra.

Calma aí, garoto! Você já venceu algumas batalhas, já mostrou o que sabe e aonde pode chegar. Mas não precisa bater o pezinho como o dono da bola, fazer birrinha como o menino contrariado que já não é. Com 25 anos, Pelé era Rei e como tal se comportava. Ronaldo Fenômeno conduzia o Brasil ao pentacampeonato mundial. E nenhum deles se portava como o garotinho mimado que não gosta de dividir o brinquedinho.

Um pouco de humildade não lhe vai mal. Namorar beldades como a atriz global, frequentar lugares da moda ao lado de campeões da F-1, do basquete e astros do cinema são direitos que os ganhos na carreira lhe proporcionaram. Mas tratar os companheiros de time como seres inferiores – mesmo que Cavani não seja flor que se cheire, como gostam de argumentar os pachecos brasucas – não é legal, não pega bem. E pode até lhe tirar votos de treinadores e capitães de seleções na eleição anual da Fifa.

Craque é uma distinção dos deuses da bola. Mas boa educação é uma virtude humana, exercida desde as mais simples situações. As celebridades, mais do que ninguém, precisam saber disso. E praticá-la constantemente, como o jogador em sua atividade. Neymar já deveria ter tal consciência. Ou pelo menos alguém de sua cada vez mais numerosa entourage.

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