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Hasta siempre, comandante Che

Postado por Moacyr Oliveira Filho em 10/out/2017

Che Guevara

Lembrar a luta e os ideais de Ernesto Che Guevara, no momento em que Donald Trump retoma o discurso beligerante norte-americano e reacende o clima da Guerra Fria no mundo, é dever de todos os que lutam pela liberdade, pela justiça e por um mundo mais justo e menos desigual

Há exatos 50 anos, no dia 9 de outubro de 1967, Ernesto Che Guevara era morto pelo exército boliviano. Morria o maior ídolo da esquerda mundial, um dos líderes da Revolução cubana, símbolo da luta de toda uma geração contra o imperialismo norte-americano, a opressão, a desigualdade social e a defesa da liberdade e do socialismo.

Ernesto Che Guevara foi capturado no meio de um riacho seco, no fundo de um vale chamado Quebrada del Churro, a 3.600 metros de altitude, distante 150 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra, uma das principais cidades da Bolívia. Além dele, outros 14 revolucionários também foram presos. Estavam desnutridos. Alguns doentes e todos abatidos.

O grupo liderado por Che Guevara foi cercado por um pelotão de 600 homens do Exército da Bolívia. A tropa de militares era comandada pelo capitão Gary Prado, treinado pela CIA – órgão de inteligência dos Estados Unidos – para combater a subversão na América Latina. Depois de duas horas de fogo pesado, restaram mortos “Miguel”, “Júlio”, “Coco Peredo”, companheiros de Che. Do batalhão, quatro soldados também morreram. Conta-se que dois bolivianos aliados de Guevara conseguiram desertar, no meio do tiroteio, correndo pelo desfiladeiro. Os demais foram presos.

Ferido na perna e impossibilitado de caminhar, Che foi levado nas costas pelo companheiro “Benigno” até La Higuera. Lá, um vilarejo de apenas 40 casas, o guerrilheiro argentino que virou o grande mito da juventude do Século XX, seria morto com seis tiros desferidos por um tenente bêbado, Mário Terán, em 9 de outubro de 1967. No dia seguinte, o corpo foi levado para Valle Grande e apresentado como troféu pelas autoridades numa lavanderia no quintal de um pequeno hospital.

Por mais de 30 anos, seu corpo ficou enterrado, clandestinamente, numa pista de pouso no vilarejo boliviano de Vallegrande. A intenção dos militares bolivianos era desaparecer com seus restos mortais, para que não houvesse um lugar de peregrinação.

Em 1995, o pacto de segredo foi rompido e o oficial Mario Vargas Salinas revelou ao jornalista americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Guevara, que os restos mortais dele estavam enterrados na velha pista de pouso de Vallegrande. Seus restos mortais foram resgatados e levados para Cuba, onde repousam num mausoléu erguido em sua homenagem na cidade de Santa Clara.

Com a descoberta dos restos mortais de Che Guevara em Vallegrande, aconteceu justamente o que os militares bolivianos temiam: o local virou ponto de peregrinação. A vala foi coberta – e protegida – por uma espécie de capela, que hoje é a grande atração turística do vilarejo.
Ídolo de toda uma geração, Che Guevara, pela sua importância histórica e pelo seu papel na luta revolucionária, é odiado pela direita de todo o mundo, principalmente pelos Estados Unidos, que pintam a sua imagem como a de um assassino sanguinário.

Nos dias de hoje, quando Donald Trump retoma o discurso contra Cuba, revivendo o clima da Guerra Fria, atacando os imigrantes e ameaçando com o poderio militar norte-americano, reverenciar a memória de Ernesto Che Guevara é dever de todos os que lutam pela paz, por um mundo mais justo e igualitário.

Os ideais de Che Guevara e da Revolução Cubana continuam vivos nos corações e nas mentes de todos os que combatem a opressão, a fome, a miséria, a desigualdade social e econômica e o imperialismo.

Que o exemplo de Che Guevara continue vivo e se multiplique mundo afora, como demonstração de que a luta por um mundo mais justo e menos desigual continua.

Como ele mesmo ensinou: “Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”.

Hasta la vitória, comandante Che Guevara!

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