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Emoções de Carnaval

Postado por Moacyr Oliveira Filho em 09/fev/2018

ARUC

A apresentação da ARUC, minha escola de samba em Brasília, para os pacientes internados no Hospital Sarah foi uma das maiores emoções carnavalescas da minha vida e uma demonstração apaixonante e apaixonada de solidariedade

Nesses anos todos em que milito no Carnaval, tive grandes, intensas e variadas emoções. Seja com o Vai-Vai, com a Portela, com a ARUC, com o Pacotão ou com cenas e momentos inesquecíveis que vivi e presenciei nos sambódromos da vida e nas ruas, becos e vielas de diferentes cidades.

Na quarta-feira, dia 7 de fevereiro, no entanto, vivi, sem dúvida, a maior emoção da minha vida carnavalesca.

A ARUC, a maior campeã do Carnaval de Brasília, com 31 títulos conquistados, reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do DF, escola de samba que atualmente presido mais uma vez, fez duas apresentações para pacientes internados no Sarah, famoso, reconhecido, respeitado e admirado hospital especializado no tratamento e na reabilitação de pacientes com doenças do aparelho locomotor, especialmente nas áreas neurológica e ortopédica.

Minha relação pessoal com o Sarah é antiga, intensa e profunda. Uma das minhas filhas, a Isadora, hoje com 27 anos, é portadora de uma doença genética, Osteogenesis Imperfecta, conhecida como Ossos de Vidro, que provoca múltiplas, variadas e frequentes fraturas, principalmente nos ossos longos.

Isadora entrou no Sarah com 7 dias de vida e durante todos esses anos foi uma paciente frequente naquele hospital, por conta de fraturas e outros tratamentos recebidos ali. Pelo menos nos seus primeiros 15 anos de vida, eu sempre estive direto com ela em suas idas ao Sarah.

Aquele ambiente, portanto, me é familiar e com forte apelo na minha memória afetiva.

Por tudo isso, voltar ao Sarah na quarta-feira, em outra situação, foi um turbilhão de emoção. Foi emocionante ver a alegria nos olhos de crianças, jovens e adultos, a maioria em cadeira de rodas, muitos com lesões medulares e paralisia, cantando, sambando, tocando com a Bateria da ARUC e nossas passistas.

Várias vezes, durante essa apresentação, fui às lágrimas de tanta emoção.

Como disse o Vareta, um dos diretores da ARUC, a emoção daquele momento foi tão intensa, que parecia que nossa escola, que está há 4 anos sem desfilar, porque o GDF não liberou recursos para o desfile das escolas de samba de Brasília nos últimos 4 anos, estava ganhando mais um campeonato.

Pra mim, foi mais do que isso. Essa apresentação reforçou ainda mais o compromisso da ARUC não só com o samba, o Carnaval, o esporte e a cultura, mas também com a vida, com a alegria e com ações sociais que permitem que utilizemos nosso prestígio e nossa imagem consolidada em Brasília para manifestar solidariedade às pessoas e fazer o bem.

Foi uma lição de vida, que mostra que o Carnaval é, acima de tudo, amor e alegria.

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